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	<title>Keep Learning &#187; Cultura</title>
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	<description>Conhecimento nunca é o bastante</description>
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		<title>O modelo Dreyfus e a fuga de cérebros</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 04:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Húngaro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitas empresas sofrem com o que se chama &#8220;fuga de cérebros&#8221;: os melhores profissionais da empresa estão sempre saindo para outros empregos. Isso pode ter vários motivos, como problemas de relacionamento pessoal, baixos salários, mudança de foco profissional, insatisfação com a estratégia ou foco da empresa e vários outros. Mas há um fator muito importante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitas empresas sofrem com o que se chama &#8220;fuga de cérebros&#8221;: os melhores profissionais da empresa estão sempre saindo para outros empregos. Isso pode ter vários motivos, como problemas de relacionamento pessoal, baixos salários, mudança de foco profissional, insatisfação com a estratégia ou foco da empresa e vários outros. Mas há um fator muito importante que geralmente é ignorado: a falta de confiança na intuição do profissional especialista (<em>expert</em>).</p>
<p>Pausa para explicação.</p>
<p>O modelo Dreyfus de aquisição de habilidades divide os profissionais em cinco níveis de conhecimento para uma dada habilidade (isto é, você pode estar no nível 1 em culinária e no nível 5 em jardinagem, ninguém &#8220;é&#8221; um nível 5 e pronto). Bem resumidamente, são eles:</p>
<ol>
<li><strong>Novato</strong>: o novato precisa de regras claras e independentes de contexto (&#8220;receita de bolo&#8221;) para guiar seu trabalho, e não sabe lidar com problemas pois não tem experiência para tomar decisões sozinho. Também não toma responsabilidade pelas regras que segue &#8211; &#8220;Eu estava apenas seguindo ordens!&#8221;.</li>
<li><strong>Iniciante avançado</strong>: começa a tomar decisões mais básicas pois já possui alguma experiência e percebe que pode adaptar algumas regras a certos contextos. Ainda não toma decisões contrárias às regras, não sabe lidar com problemas inesperados e não experimenta a sensação de responsabilidade pessoal. A maioria das pessoas está nesse nível.</li>
<li><strong>Competente</strong>: questiona as regras de acordo com sua experiência e percebe consequências a longo prazo. Começa a tomar decisões de acordo com o contexto, resolver problemas inesperados e a tomar a responsabilidade sobre seus atos.</li>
<li><strong>Proficiente</strong>: se utiliza de pouquíssimas regras, começa a valorizar mais sua intuição e sempre analisa o contexto em que está inserido de acordo com o que já experimentou. Sente-se completamente responsável por suas decisões e respectivas consequências.</li>
<li><strong>Especialista</strong>: o especialista usa a intuição que adquiriu com a experiência e faz tudo parecer muito fácil. Toma decisões e resolve problemas sem esforço, pois reconhece padrões muito rapidamente. É o pior professor para um novato, pois não segue qualquer receita, apenas sabe o que fazer.</li>
</ol>
<p>Um ponto interessante é que pessoas nos níveis mais baixos costumam se sobreavaliar, enquanto as pessoas nos níveis mais altos são bem mais críticos em relação ao seu trabalho e nível de conhecimento.</p>
<p><span id="more-120"></span><br />
Citando Dave Thomas:</p>
<blockquote><p>So, high-quality experience turns us from a novice to something approaching an expert. We process information in a qualitatively different way in the two states: novices need rules, experts need concepts and contexts. Novices need external feedback, experts generate their own. Stuff that works when teaching a novice drives an expert up the wall, and vice-versa. Experts are often the worst teachers of novices.</p></blockquote>
<p>Este modelo foi utilizado na década de 80 para resolver alguns problemas na profissão de enfermagem, problemas esses que são agora enfrentados pelos desenvolvedores de software: a profissão não é valorizada (sendo considerada simplesmente operacional), os salários são baixos (o que torna mais interessante financeiramente dar palestras/consultoria ou partir para cargos administrativos), a educação de novos profissionais piora cada vez mais (devido à sobrevalorização de modelos formais e desvalorização da experiência prática) e a perda de visão do real objetivo (satisfazer aos clientes ao invés de simplesmente &#8220;fabricar&#8221; software).</p>
<p>Voltando:</p>
<p>Tudo o que você precisa fazer para arruinar o trabalho de um especialista é fazer com que ele siga regras. É o que Andy Hunt chama de &#8220;arrebanhar cavalos de corrida&#8221;. Para arruinar o trabalho de um novato, deixe-o livre de receitas, o que Andy chama de &#8220;colocar ovelhas para correr&#8221;. É por isso que metodologias e regras não podem ser aplicadas a todos em uma equipe: equipes são heterogêneas, possuem profissionais em vários níveis de conhecimento em uma dada habilidade. Os chamados &#8220;gestores de pessoas&#8221; simplesmente não conseguem perceber isso, ou fingem não perceber.</p>
<p>Outro fator que atrapalha é acreditar que todos devem ser tratados da mesma forma ou haverá insatisfação: dado que os tratamentos diferenciados não sejam coisas absurdas e seja deixado bem claro que qualquer um que se torne mais experiente pode alcançar os benefícios, não há problema nisso. Basta haver transparência.</p>
<p>Esses mesmos gestores ignoram a intuição dos especialistas e usam a justificativa de que <em>não é científico</em> ou <em>não segue a metodologia XYZ</em>. Desta forma, forçam seus melhores profissionais a seguir regras que não fazem o menor sentido para eles. Resultado: insatisfação, baixa produtividade, qualidade do trabalho acaba menor do que poderia ser e, finalmente, a perda do profissional. Basicamente, pagam mais para os especialistas e desperdiçam o que os torna diferentes. Não é assim em todos os lugares mas, infelizmente, é o que acontece na grande maioria.</p>
<p>Escute seus especialistas. Dê espaço àqueles que já provaram seu valor e são referência dentro de sua equipe. Ignore o senso de &#8220;politicamente correto&#8221; e, sim, trate os desenvolvedores de sua equipe de forma diferente, de acordo com o respeito natural que surge dentro da equipe em relação aos melhores e mais experientes. Lembre-se que métodos formais não alimentam criatividade, intuição e inventividade. Não há &#8220;tamanho único&#8221; quando falamos de experiência e competência.</p>
<p><strong>Referências</strong>:<br />
Dave Thomas &#8211; <a href="http://pragdave.pragprog.com/pragdave/2004/04/end_of_the_know.html" target="_blank">End of the Knowledge Worker? </a><br />
Andy Hunt &#8211; <a href="http://www.pragprog.com/titles/ahptl/pragmatic-thinking-and-learning" target="_blank">Pragmatic Thinking and Learning: Refactor Your &#8220;Wetware&#8221;</a></p>
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